quinta-feira, 30 de Janeiro de 2014

Riqueza e pobreza

Estou há uns meses a ajudar o Apoio Fraterno da minha paróquia. Este grupo de apoio socio-caritativo dá ajudas alimentares, roupa e outra às famílias carenciadas da paróquia, e tem a seu cargo cerca de 100 famílias, num total de mais de 300 pessoas abrangidas. Os pedidos de apoio não páram de chegar, e os apoios são cada vez menores. A realidade da pobreza no nosso país é muito grave, muito mais que aquilo que as pessoas imaginam.

Ontem fomos fazer uma visita a mais um pedido que chega (todas as semanas há pedidos novos). O senhor Manel (nome fictício) está reformado e recebe 266€ de reforma. Vive numa barraca, sim, uma barraca, cedida pelo antigo patrão, e paga cerca de 60€ de gás, água e luz todos os meses. Tem diabetes e asma como doenças crónicas, para além de uma série de outros problemas que o obrigam a comprar muitos medicamentos todos os meses. Uma situação dramática, mas que provavelmente poderá não ser aprovada para apoio pelo grupo. Porquê? Porque o rendimento per capita (a soma dos rendimentos do agregado, menos as despesas, a dividir por todos os elementos do agregado) de um pobre que precisa de ajuda, defnido pelas entidades que apoiam, anda à volta dos 120€. Como vive sozinho, o rendimento per capita do Manel não permite que seja considerado pobre o suficiente para ser ajudado.

Alguns de vocês poderão estar por esta altura a lançar pragas a quem dá estes apoios, porque não se admite este tipo de situações. A verdade, no entanto, é outra: se este caso não for apoiado, é porque todos os outros casos que são apoiados de momento têm um rendimento ainda inferior a este. Muitas das famílias têm rendimentos per capita negativos, o que significa que o que recebem não chega sequer para pagar as dívidas que têm. Neste momento, a verdade é que o total das ajudas que as instituições recebem não chega para ajudar pessoas com este nível de rendimentos. E isso é muito preocupante...


É comum dizer-se que os portugueses respondem em alturas de crise e que são solidários. Sim, é verdade, mas é preciso também que as pessoas se apercebam da verdadeira dimensão desta crise. Apesar de todas as ajudas, que são muito bem-vindas, a verdade é que não chegam. Por isso, não fiquemos satisfeitos com o que fazemos e procuremos perceber onde mais podemos ajudar, do que mais podemos abdicar, e quem mais podemos convencer a juntar-se a nós. A crise existe, é real, e muita gente é afetada por ela de um modo que muitos de nós não conseguimos compreender nem conceber...
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sexta-feira, 24 de Janeiro de 2014

Praxes, humilhações e desgraças

Enquanto se aguarda pelo fim da amnésia seletiva do único sobrevivente da tragédia do Meco, parece claro, pelos indícios que vão surgindo, que esta tragédia surgiu na consequência de praxes. Neste caso, praxes de universitários para poderem integrar a comissão de praxes. Ou seja, deixou de haver apenas praxes para integrar caloiros na faculdade, é praxes para tudo.

A teoria é toda muito bonita. As praxes são momentos de convívio entre os estudantes universitários e os caloiros que visam facilitar a sua integração no mundo académico, facilitando as amizades e forjando novos laços que vão ser muito úteis durante o tempo de faculdade. Quando eu entrei na faculdade, houve dois dias de praxes. Ao primeiro não fui, porque era composto de atividades que denegriam mais as pessoas que propriamente as integravam, mas fui ao segundo, ao engano. Estava marcada uma aula de apresentação para todos os caloiros e a Sala Magna encheu-se. Entrou um "professor" muito sério, que nos deu as boas-vindas e deu início à primeira aula do ano, que servia para apresentar os cursos e indicar bibliografia a adquirir. Depois de cerca de 30 mins a escrever que nem um louco nomes de livros, horários e professores, percebemos que era tudo uma grande peta. O professor era um dos alunos mais velhos da universidade e enganou-nos bem enganados, e demos todos uma grande risada. Depois disso, fomos todos com orelhas de burro e atados uns aos outros em passeio até Belém, onde foi eleito o Mr e a Miss Caloiro. Brincadeiras inofensivas que, sim, serviram para olharmos a universidade com outros olhos.

Isto foi há 16 anos. No entanto, a verdade das praxes hoje em dia é bem diferente. Não nego que haja exceções, comissões de praxe que queiram verdadeiramente integrar os seus caloiros e fazer amizade com eles, e isso é positivo, mas na generalidade dos casos, as praxes são momentos humilhantes, nos quais alguns frustrados da vida sentem necessidade de impor um poder, que nunca tiveram nem terão de outra forma, sobre pessoas que estão numa situação fragilizada, por estarem num mundo novo e estarem sujeitos à pressão dos pares de se terem de integrar num ambiente que começa logo por humilhá-los como cartão de entrada.

Estas questões são conhecidas há anos, e têm resultado em casos bem graves, alguns deles noticiados pelos meios de comunicação social, a maior parte provavelmente não. No entanto, todos defendem que se tratam de brincadeiras inofensivas, e até surgiu um "pacto de silêncio" em relação a estas práticas, supostamente para impedir que os futuros caloiros saibam o que lhes espera (se a malta soubesse que ia ter uma aula falsa, ninguém lá aparecia, é verdade), mas que na verdade serve para libertar os responsáveis pelas praxes para fazerem as atrocidades que pretenderem e depois exigirem o silêncio dos pobres caloiros que as sofreram.

As universidades e as associações de estudantes todos os anos têm lavado as mãos sobre este assunto, referindo que são coisas da Comissão de Praxes, que não está sob a sua alçada. E agora, que morreram pessoas? Alguém vai acordar para esta realidade, pôr a mão na ferida e ter a humildade de reconhecer os erros? Ou vamos continuar a assobiar para o lado, fazer grandes homenagens aos "herois caídos", e depois continuar no regime de libertinagem, irresponsabilidade e impunidade que hoje grassa no meio académico em Portugal?

Alguém sugeria, num blogue que me passou pelos olhos, que este ano não houvesse vida académica. Acabavam-se os trajes, as festas, as queimas, as bençãos, todas as fantochadas (sim, as bençãos, na maior parte dos casos, também são fantochadas. Em Lisboa vêem-se mais pessoas a fumar, beber ou jogar às cartas do que com atenção ao que o Patriarca está a dizer na missa), e tudo isto era repensado, o que para mim faz todo o sentido. Era sinal de luto, lucidez, e permitiria a todos repensarem as coisas para que se retomassem com outros moldes, mais saudáveis.

Haverá coragem de fazer isto, ou a solução é "epá, esta bebedeira hoje é em nome dos que morreram", "sim, tu, esfrega a cara na lama e finge que és um porco para homenagear os que morreram!", ou coisas parecidas, e pronto, faz-se uma homenagem e não se pensa mais nisso, porque é "doloroso"?

É altura das universidades assumirem que o que se passa dentro das suas portas tem de ser fiscalizado e vigiado, e das pessoas responsáveis pelas praxes deixarem de querer fazer sempre pior que o que lhes fizeram a eles. Há gente com tomates para dizer "Chega"? Ou vamos continuar a assobiar para o lado sem responsabilizar ninguém, porque essa história de chamar à responsabilidade dá muito trabalho, um dia vai-me bater à porta também, e afinal, os putos secalhar até saltaram para dentro de água porque quiseram, ninguém lhes apontou uma arma à cabeça...

PS - Porque gostei, fica a partilha de uma carta aberta a esse que chamam de Dux: http://pesnosofa.blogspot.se/2014/01/carta-aberta-dux.html
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quarta-feira, 18 de Setembro de 2013

20 segundos de coragem louca

No filme "We bought a Zoo", com Matt Damon e Scarlet Johansson, a personagem que o Matt Damon interpreta explica ao seu filho que sofria de amores e de vergonha que apenas precisamos de 20 segundos de uma coragem louca para conseguirmos algo de bom. Apenas 20 segundos de nos sujeitarmos a uma vergonha com a qual não queremos lidar, ou de darmos um passo que julgamos não ser próprio da nossa natureza e que não nos sentimos capazes de fazer. Se o fizermos, garante o protagonista, algo de bom surgirá.

Tenho guardado este conceito na minha cabeça e já o coloquei em prática algumas vezes. Nem sempre me dei bem, mas de uma forma geral a coisa até tem corrdio de forma satisfatória. O bom da situação é que, mesmo que aquele gesto não tenha os resultados esperados, o que é facto é que tivemos a coragem para o fazer, e a partir daí será mais fácil avançarmos e conseguirmos evoluir no nosso crescimento. Seja para conquistar uma rapariga ou um emprego, por vezes temos de sair da nossa zona de conforto e expormo-nos ao ridículo, ao falhanço ou ao insucesso, na esperança de que possa sair dali algum resultado positivo, e sempre na certeza de que sairá dali uma aprendizagem que nos será valiosa no futuro, quando verificarmos que aquele gesto nos abriu portas que nunca julgámos possíveis abrir.

Hoje voltei a ter os meus 20 segundos de loucura. Algo de inesperado, condenado ao falhanço quase à nascença, mas que resolvi fazer, mesmo perante o menear da cabeça e o espanto de outros. Porque o que é impossível está apenas a duas letras de se tornar possível, todos deveríamos ter os nossos 20 segundos de coragem louca. O Matt garante, e eu comprovo, que qualquer coisa boa vai sair de lá. Agora é aguardar... :)


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quarta-feira, 4 de Setembro de 2013

Ganância

Assistimos nos últimos dias com expetativa ao desenrolar dos acontecimentos na Síria. O país passa por dificuldades e um conflito sangrento que muitos já comparam ao Ruanda, onde milhares de habitantes foram mortos numa guerra civil que apenas serviu para mascarar uma tentativa de genocídio étnico.

Entretanto, a comunidade internacional vai tentando perceber qual a melhor forma de intervenção no terreno, e muitos apontam para a necessidade de uma intervenção militar, uma opção que poderá provocar a III Guerra Mundial e conduzir a região, e o mundo, a um caos nunca desejado. Em vista de um potencial conflito internacional, os mercados do petróleo já se começaram a agitar e a aumentar os seus preços. Dizem os "especialistas" que, apesar da Síria ser um produtor menor, está num local estratégico para a o transporte e distribuição do ouro negro. Por isso, o preço da matéria-prima, que ainda não começou a faltar, começou já a disparar nos mercados internacionais, só porque poderá, eventualmente, haver o risco de, um dia, a distribuição do petróleo poder sofrer alterações.

Ou seja, não há efetivamente nenhum problema no momento, mas os preços já dispararam, o que significa que veremos o preço dos combustíveis a aumentar em breve, apesar de nada o justificar na verdade. Havia meses que o preço havia baixado e estabilizado, ainda que a níveis muito altos. No entanto, não satisfeitos com isto, os especuladores do mercado internacional aproveitaram a dor e o sofrimento dos outros para aumentar os preços e o seu lucro próprio. Ninguém se importa com os dois milhões de pessoas que foram obrigados a abandonar as suas casas, as suas vidas, para se refugiarem num país estranho, em locais sem condições, enquanto aguardam que o conflito que não pediram nem desejaram acabe. O grande problema é que, eventualmente, a distribuição de petróleo pode acabar. E como pode acabar, deixa cá aumentar já os preços, para nos precavermos...

Só para reforçar o mais importante: só o facto de alguém dizer "olha, eventualmente poderá vir a haver, no futuro, um problema com a distribuição de algum petróleo" (até porque ele não passa todo pela Síria), faz com que todo o petróleo em todo o mundo aumente de preço. Não há problema efetivo nenhum, mas o preço já está a aumentar, criando para o consumidor o problema real de perder ainda mais poder de compra.

Este é o grande problema do mercado liberal: está, normalmente, refém de uma oligarquia que domina e controla tudo o que ali se passa. É uma das maiores falácias do mundo moderno, aliás: queremos que os Estados deixem de controlar as coisas, para que se possa entrar num mercado livre e liberal, que permite vantagens para os consumidores. Depois, há um grupo de gente gananciosa que toma conta do processo e faz o que quer, escondidos sob a capa liberal, mas fixando os preços e as condições conforme os seus interesses pessoais...

Quanto aos combustíveis, são algo que toda a gente necessita, e por isso todos reclamam, mas poucos se podem dar ao luxo de deixar de os usar. Até porque o investimento nas energias renováveis, que todos reclamam como necessário, não é levado por ninguém a sério, porque os interesses económicos do petróleo não permitem... e assim andamos, até que apareça um governante com tomates que meta esta gente toda no seu lugar.


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segunda-feira, 26 de Agosto de 2013

Condolências

Uma onda de indignação está a atingir as redes sociais. O nosso presidente interrompeu as suas férias para entregar as suas condolências à família do economista António Borges, mas parece que se "esqueceu" dos bombeiros falecidos este Verão no combate aos fogos. Eu cá acho que ele sabe que eles morreram, mas secalhar não tem visto televisão...

Pouco mais de três mil pessoas comentaram no Facebook «As minhas sinceras condolências aos familiares dos BOMBEIROS falecidos» no post sobre as condolências à família do António Borges. Sinceramente, é uma onda bem pequena. Se mais de 1 milhão de pessoas comentasse, isso sim, seria extraordinário, mas 3 mil... enfim, eu já fiz a minha parte. E vocês? É só irem à página do Facebook da presidência e comentarem, caso também achem que este "esquecimento" é uma coisa que não lembra a ninguém.

Apesar de tudo, estou descansado. Não acho que os heróis caídos no combate aos fogos necessitem de grandes louvores aqui na terra, nem propriamente as suas famílias. No Evangelho, Jesus dizia que aqueles que gritavam nas esquinas o bem que faziam, e que tocavam a sineta cada vez que davam esmola, recebiam na terra a sua recompensa, com a admiração que granjeavam nos outros. Enquanto isso, aqueles que rezavam no escuro do quarto, e que davam esmola sem ninguém saber, teriam no Céu a sua recompensa. Ninguém vai para bombeiro voluntário à procura de louvores ou recompensas. Acredito que aqueles homens e mulheres que dão a vida para garantir a nossa segurança se estão pouco importando para os louvores e as recompensas. E é por isso que sei que, no Céu, têm a sua recompensa à espera...

Numa nota relacionada, todos os anos se ouve a mesma conversa: não há limpeza das matas, a fiscalização não obriga as pessoas a fazerem isso, e depois anda tudo às aranhas para conseguir dar conta dos incêndios. De uma vez por todas, acabe-se com essa palhaçada e obrigue-se as pessoas a limpar as suas matas, aplicando coimas altas e que metam medo. Depois, coloquemos os reclusos do nosso país com bom corpinho para trabalhar a arranjar e limpar as matas que são de todos. E pegue-se nos desempregados de longa duração e criem-se empregos nesta área, mas tudo no Inverno, para que no Verão não tenha de haver mais filhos a ficar sem os seus pais, e famílias a ficar sem as suas casas. É que parece que só falamos nas matas quando há incêndios, quando a prevenção seria bastante mais barata que o combate propriamente dito e até poderia criar mais emprego...
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quarta-feira, 21 de Agosto de 2013

Sem filhos não se fazem países

© Todos os Direitos Reservados

O velho ditado português que defende que sem ovos não se fazem omeletes pode aplicar-se às notícias que o jornal Público trouxe ontem, e que indicavam que havia menos 13 mil alunos no ensino básico público entre os anos letivos de 2010-2011 e o de 2011-2012. Não se conhecem ainda os números de 2012-2013, mas ninguém espera que tenham aumentado.

A quebra na natalidade que Portugal tem sofrido nos últimos anos está a começar a sentir-se de forma prática na vida do país. A diminuição do número de alunos provoca o despedimento de professores e funcionários das escolas, aumentando os níveis de desemprego, mas a questão é bastante mais grave que essa. Apesar de todos os avisos que têm sido feitos por imensas associações e movimentos, o Governo continua a ignorar que é preciso dar condições às famílias para que tenham filhos. Em alguns casos, nem são precisos incentivos. Basta que se garanta que o posto de trabalho não será perdido, ou que as contas a pagar têm em conta o agregado. Raios, em alguns casos bastaria apenas que se passasse a mensagem a incentivar as pessoas a ter filhos!

Temos campanhas publicitárias para tudo e mais alguma coisa, umas muito importantes, outras talvez nem tanto. Mas porque é que não temos uma que diz "ter filhos assegura o futuro do país"? Será que as pessoas têm noção que na última semana de julho nasceram, em todo o país, apenas 15 crianças???

Têm sido aprovadas algumas medidas de apoio à natalidade, mas o que é facto é que a natalidade não tem aumentado. Independentemente das razões, este é o facto: não há crianças suficientes a nascer para garantir a renovação da geração. E as medidas aprovadas não têm dado o resultado esperado.


O que eu estranho é que a comunicação social não fale nestes assuntos, que noticie estas coisas e não questione quem de direito sobre o porquê destas questões. Temos menos crianças na escola porquê? Não estão a ir para o privado, certamente, nem estão a ficar em casa sem ir à escola, porque é obrigatório. Então, porque é que há menos crianças?

Daqui a uns anos, o problema vai estar no ensino superior, e depois no emprego. Quando houver menos gente a fazer descontos, a Segurança Social, que já está um caos, entrará em colapso completo, e o futuro não será risonho, mesmo com as vagas de imigrantes que possam radicar-se no nosso país. Nessa altura seremos como os pais negligentes que depois de deixarem as crianças fazer tudo o que queriam enquanto cresciam, se questionam porque é que elas são tão mal comportadas...

(Nota: pela minha parte, já questionei o ministério de Pedro Mota Soares, que é quem tem o pelouro da família sobre isto, e estou a aguardar respostas. Se houver, eu atualizo o post)
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terça-feira, 20 de Agosto de 2013

Violência religiosa no Egito

 © Foto Fundação AIS

É possível que nem todos estejam ao corrente do que se passa no Egipto neste momento. Com mais um presidente deposto, a tensão, os conflitos e as mortes sucedem-se em catadupa. Um dos aspetos menos abordados pela comunicação social é a situação da Igreja e os conflitos. Nos últimos tempos, arderam mais de 49 igrejas cristãs, entre ortodoxas, católicas e protestantes, e os cristãos não saem à rua com medo da violência. Os fundamentalistas muçulmanos estão a aproveitar a crise política para dizimar a minoria cristã no país, e ninguém se parece importar com isso. Têm sido, segundo os relatos que vão chegando, os próprios muçulmanos a impedir males ainda maiores. Sim, porque como em toda a história, os cobardes que usam a religião como desculpa para a violência são sempre uma minoria. O problema é que são sempre esses grupos minoritários quem está no poder e quem executa essas atrocidades. Aconteceu em todas as religiões, e está a acontecer na religião muçulmana agora.

Tudo começou no dia 14 de agosto, quando o exército egípcio e a polícia utilizaram bulldozers e gás pimenta para acabar com os acampamentos dos apoiantes do presidente Morsi, que tinha sido obrigado a demitir-se no final de julho. Moris era apoiado pela Irmandade Muçulmana, que por sua vez acusou as comunidades cristãs de serem as responsáveis pelo afastamento do presidente. Neste sentido, desencadearam-se nos últimos dias uma série de ataques a igrejas, escolas e conventos cristãos, com a justificação (desculpa?) de que os cristãos teriam sido contra Morsi. O Patriarca copta católico Ibrahim Sedrak afirmou à agência de notícias do Vaticano que "isto não é uma luta política entre diferente fações, mas uma guerra contra o terrorismo". Apesar disto, existem relatos de grupos de muçulmanos que rodeiam igrejas cristãs, evitando que sejam destruídas, e que acolhem vizinhos cristãos e os protegem dos ataques, o que mostra que a convivência entre as diferentes religiões não só é possível, como é desejada por pessoas de ambas as religiões.

Com a globalização, a entrada de estrangeiros nos países muçulmanos provocou uma diversidade cultural e religiosa com a qual estes fundamentalistas não estão a saber lidar. Não se importam que isso aconteça nos países onde é o Islão a entrar, mas não suportam que isso aconteça onde são maioria. É triste observar que a coisa mais maravilhosa do mundo, o amor entre todos, esteja a ser destruído usando como razão questões religiosas, quando é a religião, e todas as principais o fazem, a primeira que aponta para a necessidade de nos amarmos uns aos outros.

A luta pela democracia no Egito, depois da Primavera Árabe, um movimento do povo que rapidamente foi aniquilado pela corrupção e pelos interesses económicos, tem conhecido vários sobressaltos, e rapidamente deixou de ser um movimento genuíno do povo (se alguma vez o terá sido apenas o futuro o dirá) para se transformar num golpe perpetrado por uma minoria corrupta que quer tudo menos servir o povo que supostamente deveria servir.

A comunidade internacional, que anda mais ocupada a recusar moedas de euro com a figura de Cristo, não parece importar-se muito com esta escalada de violência e está mais naquela de "matem-se todos e depois nós intervimos no fim para apanhar os cacos". A vantagem disto é que sobram menos para combater e controlar. A parte horrível é que homens, mulheres e crianças são assassinadas apenas porque acreditam em algo diferente daquela que era "suposto" acreditarem...
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segunda-feira, 19 de Agosto de 2013

O Arco de Luz e a Rua Augusta "fechada"

Terminou ontem o espetáculo "Arco de Luz" com o qual a Câmara Municipal de Lisboa quis assinalar a abertura do Arco da Rua Augusta ao público. Não ouvi ainda nenhum balanço oficial, mas a julgar pela multidão que foi assistir no dia em que eu fui e a quantidade de gente que postou fotos nas redes sociais, a afluência foi enorme.



O espetáculo consistia na apresentação das personagens que têm uma estátua no Arco, e permitia uma rápida passagem por alguns dos principais acontecimentos da história portuguesa. Exaltou a nossa coragem, valentia, ousadia, capacidade de sofrimento e engenharia, usando os exemplo de Viriato, Nun'Alvares Pereira, Vasco da Gama e do Marquês de Pombal. Uma mensagem que terminava com uma compilação de imagens de portugueses famosos em todos os séculos, que nos lembrava, e bem, que o nosso povo sempre teve valor ao longo da história, e não deixou de o ter agora.




A iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa teve muito valor e permitiu dinamizar o coração da cidade que, à noite, fica sempre despido de gente. A única coisa que não percebi foi o porquê de, ao percorrer a Rua Augusta à pinha, olhar e ver todas as lojas fechadas. Os cafés era difícil encontrar um aberto e os poucos que estavam eram inundados por gente. Ou seja, a câmara consegue o mais difícil, que é encher a baixa de gente à noite, e depois as lojas ficam fechadas, os museus não abrem e os cafés não fazem negócio? Que raio de estratégia de dinamização do comércio local é esta que gasta uma pipa de massa num espetáculo multimédia e depois as pessoas que lá vão querem beber um café e nem isso conseguem? Os museus podiam ter ficado abertos, as livrarias poderiam ter tertúlias, concertos, as lojas de roupa poderiam fazer promoções para quem comprasse à noite (ou não, até porque muits já estão em saldos), enfim, poderiam ter sido criados mil e um eventos paralelos que permitiriam a quem se deslocou ali para observar os 17 minutos de espetáculo poder ficar mais um bocadinho a aproveitar as excelentes noites qu estavam.



Infelizmente, continuamos a pensar pequeno, e a funcionar por capelinhas, em vez de nos dedicarmos a crescer em conjunto. Como se teria vencido a Batalha de Aljubarrota se cada um dos lados do quadrado lutasse por si? Ou como teriamos dobrado o Cabo das Tormentas se os marinheiros não tivessem trabalhado em conjunto? A resposta à crise está nestas coisas pequenas, como o trabalho em equipa, a solidariedade, e o pensar em conjunto para otimizar recursos e maximizar impactos e receitas... algum dos senhores que planeou este evento foi escuteiro? Se sim, shame on you. Se não, bom, parte fica explicado... :)



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sexta-feira, 9 de Agosto de 2013

Voltei, voltei...

Muitos meses depois, estou de regresso. Tenho mesmo de me organizar, porque tenho tudo espalhado por aí. Não estive ausente do mundo, pelo contrário. Viajei, namorei, trabalhei, alegrei-me, entristeci-me... Vivi, portanto! No entanto, não vim aqui, é um facto. Pelo contrário, afastei-me quase deliberadamente daqui. A preguiça venceu, e se houve coisa que aprendi é que não podemos deixar nunca a preguiça vencer. Por isso, tenho de me organizar. Separar os conteúdos, mas congregá-los num só local, este blogue, onde todos podem vir, caso ainda se lembrem que ele existe.

Tenho pensado muito sobre o sentido da vida, e acontecimentos recentes levaram-me a questionar o que faço, porque o faço e se o devo fazer. A vida tem destas coisas: por vezes aparece alguém ou alguma coisa que nos faz questionar tudo o que somos e fazemos. Não significa que estejamos errados. Por vezes, podemos colocar em causa tudo apenas para nos apercebermos que aquilo que pensávamos continua a parecer o mais correto a fazer. Por isso, colocar em causa é sempre positivo, desde que o façamos conscientes de que corremos o risco de ter de fazer grandes mudanças.

Podemos ter a tendência de, por vezes, achar que a vida não deve ser complicada, deve ser simples. Nada mais errado: a história mostra que as pessoas que mais viveram foram sempre difíceis, interventivas e pró-ativas, e que das outras não reza a história. Mas isso não significa que nos tornemos escravos de um trabalho, de uma pessoa ou de uma causa, e que deixemos tudo o resto para trás. Significa apenas que temos de levar a nossa vida de uma forma ativa, temos de a viver verdadeiramente, pois ela é a benção pela qual devemos dar graças todos os dias. Por isso, aqui estou, a levar a minha vida, consciente de que o caminho a percorrer não vai ser fácil e me vai obrigar a questionar muitas vezes o que estou a fazer. Mas se eu não me questionar, significa que estou quietinho no meu canto, sem me imiscuir com o mundo. E essa é uma vida que eu não quero ter...

Em resumo: a vida não para, e eu não posso deixar de a viver, porque o momento que está a passar já não volta...







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segunda-feira, 18 de Março de 2013

O povo do Chipre está a ser roubado... e a seguir, seremos nós?

Eu começo a perder a paciência com estas pessoas, a sério. Então agora querem vir colocar um imposto sobre aquilo que poupamos. Depois de andarem anos  dizer-nos que temos de poupar, vêm agora taxar aquilo que decidimos poupar? Ó meus grandes sacanas, mas quem raio são vocês para ns virem assim ao bolso, ainda por cima escondendo esse assalto com a lei e uma legislação que visa combater a crise?

Crise? Mas qual crise, qual carapuça! Vamos lá deixar de brincar aos governantes e pôr esta treta toda a funcionar como deve ser...

Há uns tempos atrás foi o IMI que sofreu um aumento brutal, em função das novas avaliações das casas, que é um imposto que eu não compreendo. Eu compro uma terreno com o meu dinheiro, e depois tenho de pagar para o poder ter? Que eu pague um impostos de circulação do meu veículo faz sentido, porque uso estradas que têm de ser mantidas (sem entrar nesse campo, que só aí...). Agora a minha casa, que não sai de onde está, tem de pagar um imposto... porquê?

Agora o Chipre decidiu impedir as pessoas de acederem ao dinheiro que elas ganharam de forma honesta, a fim de lhes poder aplicar um imposto sem justificação nenhuma, que é como quem diz retirar-lhes dinheiro que era delas, que é como quem diz roubarem. Esperam com isso angariar dinheiro para pagarem a crise que os governantes, os especuladores e os bancos criaram.

As coisas estão a atingir um ponto de não retorno, e como em Portugal eles adoram copiar ideias más, não deve tardar-se a que se comece a falar disto. Primeiro, será um comentário a estas medidas no Chipre, «impensáveis para a economia portuguesa, que não precisará delas». Depois, surgirão uns rumores na comunicação social que o Governo se prepara para fazer estas alterações, mas o Executivo, «claramente, negar essas acusações em sentido». Depois, surgirão as notícias de que a economia está a estagnar e que é preciso mais medidas. E como é injusto aumentar mais os impostos, vai-se ao dinheiro que as pessoas têm parado nos bancos. Se está parado, é porque não precisam dele, né?

Por esta altura, todos tentarão correr aos bancos para levantar o seu dinheiro, mas por essa altura já se terão criado decretos e legislações que, à semelhança do Chipre, permitirão aos bancos congelar as contas das pessoas, que ficarão sem acesso ao seu próprio dinheiro. Aqui deixamos de ter roubo para passarmos a ser vítimas de terrorismo bancário, que é o que está a acontecer neste momento no Chipre. As pessoas têm dinheiro, mas não lhes é permitido mexer nele, não se sabe até quando...

Vamos voltar a ter o dinheiro debaixo do colchão, e não haverá mais bancos com capacidade para emprestar dinheiro. Seja para comprar casa, seja para iniciar um negócio. Entraremos em colapso porque não podemos desvalorizar moeda enquanto estivermos dentro do Euro que, com tanta transformação, vai começar a desvalorizar seriamente, como já aconteceu hoje...

Esta medida criminosa que está a ser tomada contra os cipriotas devia ser condenada e julgada. Mas quem julga é quem faz as leis que permitem a essas mesmas pessoas roubarem dinheiro às pessoas...

Eu só pergunto: mas ninguém se lembra de combater a crise pelo lado da diminuição de despesa e do crescimento económico? Temos assim tão maus profissionais a liderar-nos? É que ou são incapazes ou corruptos. Eu não queria acreditar na segunda hipótese...








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quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013

Roma, dia 7: a emoção

Sim, faltam aqui uns dias. Nos últimos dias, com o trabalho acumulado, não foi possível chegar ao fim do dia e escrever qualquer coisa. Portanto, só hoje, ao entrar no comboio que me levará ao aeroporto, consigo ter tempo e cabeça para escrever algumas linhas sobre estes últimos dias.

Saio de Roma à pressa, com medo de perder o avião, pelo q nem tenho tempo de ficar triste a olhar para tudo o que não vi. E foi muito, garanto.

A Cidade Eterna não deixa ninguém indiferente. Tem uma história única, que percorre vários estágios da história da humanidade, e é quase um museu vivo, onde se tropeça em pedaços de história em cada esquina. Igrejas, obeliscos, templos, banhos, coliseu, circos... A oferta é tanta que o difícil é saber o que fazer com o pouco tempo que nos é dado para a descobrirmos. Sim, porque todo o tempo é pouco para descobrirmos Roma.

Já tive o privilégio de ver ao vivo maravilhas do mundo como Angkor Wat ou Petra. São obras magnificas, que formam uma memória que dificilmente irá desaparecer. No entanto, entrar na Basílica de S. Pedro bate tudo o resto. Como diz o Monsenhor Bettencourt, uma das pessoas mais interessantes que tive oportunidade de conhecer aqui nestes dias, "aquela basílica não é da Igreja, é nossa, dia cristãos". E sim, posso dizer que ali me senti em casa, junto dos meus.

Tive ainda a sorte de poder visitar esta cidade maravilhosa em pleno Inverno, e apanhar dias cheios de sol, óptimos para a fotografia. Assim a horda de turistas foi muito menor do que aquela que parece invadir a cidade no verão. Sinceramente, eu já achei que andava muita gente na rua, mas garantiram-me que isto não é nada, portanto nem quero imaginar o caos que se apodera desta cidade... :)

O cansaço começa a apoderar-se de mim, pelo que vou só juntar aqui umas fotos e vou encostar a cabeça... ;)

































  


PS - Entretanto, voltei para trás porque afinal a viagem era só amanhã...... pelo que tenho mais um dia de Roma!!!! :)
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segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2013

Roma, dia 4: o Angelus

Este foi o primeiro dos dois dias marcantes neste final de pontificado de Bento XVI. A oração semanal do Angelus veio confirmar a ideia que os dois cardeais portugueses em Roma me tinham já dito: Bento XVI não irá desaparecer da face da terra, isolado num convento de clausura até ao final dos seus dias de vida. Antes, irá manter-se ativo, dentro das "limitações próprias da minha idade", disse hoje numa Praça de S. Pedro quase cheia. Não houve de facto uma grande multidão, mas o Angelus é uma oração curta, sem grande contacto com as pessoas. Quarta-feira está prevista uma passagem papamóvel pelo meio dos fiéis, para uma despedida à seria, e aí a expectativa é que até a Via Della Concilliazione encha para ouvir a ultima catequese.

Tudo isto é um movimento novo para mim, e está muito enriquecedor vivê-lo aqui, onde tudo acontece. Há muita movimentação, muito stress informativo, e eu gosto do desafio e de trabalhar sobre pressão.

Outra coisa engraçada é o facto de muitos dos jornalistas terem ido embora hoje. Fico cá eu e a Rosário Salgueiro da RTP, e pouco mais. Fizeram-se amizades, trocaram-se contactos, trabalhou-se em conjunto... Foram dias muito giros. Só tenho pena de não ir para o Conclave, pois isso é que seria uma grande experiência...

Em temos de imagens de hoje, ficam as grandes panorâmicas do Angelus, e mais umas coisinhas que consegui ir vendo enquanto me deslocava de um sítio para outro.



















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domingo, 24 de Fevereiro de 2013

Roma, dia 3: o início dos trabalhos

Terminou hoje a primeira das razões que me trouxe a Roma, o seminário de jornalistas de língua portuguesa. Foram 3 dias de trabalho que me permitiram passar a conhecer um pouco melhor o Vaticano e a sua forma de funcionamento.

Além disso, a convivência salutar com jornalistas de outros meios bem maiores e com muito mais experiência é de um benefício extraordinário para mim, que sou o benjamim do grupo doa jornalistas de religião. Não necessariamente em idade, todos os outros jornalistas me ultrapassam em experiência de trabalho, e por isso é muito útil para mim poder estar perto deles, poder ouvi-los e poder ir construindo o meu lugar no meio de tanta gente competente e experiente.

Agora que terminou o curso, começa o verdadeiro desafio: cobrir os últimos dias de Bento XVI como Papa, o que, para um órgão de com. social pequeno como o meu, é um tremendo desafio. É a primeira vez que vou estar na saída de um Papa e tenho pena de não poder estar para o fumo branco, mas um passo de cada vez... :)

Hoje não houve grande tempo para visitas, mas as poucas revelaram-se extraordinárias...











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sábado, 23 de Fevereiro de 2013

Roma, dia 2: a surpresa

Roma é uma cidade surpreendente. Em todas as esquinas da cidade, há um pedaço de história à espera de ser descoberto. Monumentos, igrejas, fontes, obeliscos... Td à espera de ser encontrado, e cada um mais fantástico que o anterior.

De manhã, a basílica de S. Pedro. De tarde, o Pantheon e a Fontana di Trevi.
E eu todo contente de um lado para o outro... :)














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sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

Roma, dia 1: o espanto

Sempre tive vontade de vir a Roma. Era, juntamente com Praga, as duas capitais europeias que eu mais gostava de visitar. A possibilidade de vir a este seminário para jornalistas e de cobrir os últimos dias de Bento XVI como Papa abriram-me a porta para conhecer esta fantástica cidade.

Na minha ideia, sempre esteve a noção de que era preciso pelo menos uma semana para se ver Roma, e mm assim havia umas coisitas que ficavam por ver. Hoje, depois de cá estar um dia na cidade, rio-me desta minha ideia parva. Acho q nem um mês chegaria para ver tudo o que a cidade tem para oferecer. Cada canto de Roma tem história associada. Mais recente ou mais antiga, confundem-se as praças romanas com as capelas renascentistas e as galerias de arte moderna.

Comecei pelas igrejas. Que espanto!!!!!! Não tenho palavras para descrever aquilo que senti hoje quando entrei na igreja de Santa Maria Maggiore. Eu já tinha estado em igrejas bonitas, ricas em ornamentos e decorações, mas o que vi hoje em duas igrejas apenas excede em muito tudo o resto que vi na minha vida (o Duomo em Milão mantém-se como referência também). Crentes ou não crentes, é impossível não sentir o coração dar um pulo perante tanta beleza que nos é colocada ali. Eu já tinha visto muitas fotos de igrejas em Roma, mas ao vivo...

Fica aqui o resumo fotográfico do dia, do registo do telemóvel. Amanhã há mais, e eu mal posso esperar...



















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quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013

Perspectivas

É engraçado como há sempre dois lados de uma questão: o que no chão era um amanhecer tristonho e chuvoso, no céu era um amanhecer glorioso....







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